Seminários Mundos Juvenis - 4 de Julho

 

Interação em Movimento: Práticas e Sociabilidades Juvenis nos Transportes Universitários do Interior do Brasil



Isaurora Martins (Universidade Estadual Vale do Acaraú - Brasil)
Doutora em Sociologia pela Universidade Federal do Ceará, com estágio de doutoramento no ICS da Universidade de Lisboa. Professora Adjunta do curso de Ciências Sociais da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e coordenadora do Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Culturas Juvenis (GEPECJU). Atualmente desenvolve estudos sobre jovens universitários com enfoque nas trajetórias de vida e na mobilidade estudantil




Neste seminário serão apresentados os resultados de uma pesquisa que analisa as peculiaridades do ser jovem universitário na Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA), sediada em Sobral, cidade do interior do estado do Ceará, no Brasil. A referida instituição congrega cerca de 10.000 alunos advindos, em sua maioria, de pequenas cidades circunvizinhas que, para freqüentar as aulas, viajam diariamente em ônibus fretados ou cedidos pela prefeitura do município de origem em jornadas que chegam a durar até cinco horas (tempo de ida e volta). Tomando como interlocutores os jovens universitários que protagonizam essas viagens e como campo empírico os ônibus que os transporta até Sobral, a pesquisa identificou as práticas e as sociabilidades desenvolvidas no interior dos transportes para compreender de que modo elas agregam sentidos ao ser jovem universitário, diferenciando os universitários que viajam dos que não vivenciam essa realidade.

A partir de uma perspectiva teórica que analisa a juventude como diversidade e a mobilidade como um complexo fenômeno que inclui estruturas, meios, cultura e significados, a pesquisa descortinou um universo de práticas e formas de interação protagonizadas pelos jovens ao longo das viagens: amizades, namoros, estudos, festas, jogos, debates, conversas, rituais religiosos, dentre outras. Os achados do campo nos permitiram afirmar que os transportes universitários são lugares (identitários, relacionais e históricos) e que nas viagens estudantis, o deslocamento espacial implica um deslocamento social e cultural, na medida em que o ir e vir cotidiano é perpassado por agenciamentos que conferem singularidade à experiência de freqüentar a universidade. Se deslocar-se de algum modo possibilita o alargamento das experiências, deslocar-se coletivamente, num “meio social provisório que é o ônibus” (CAIAFA, 2002, p.11), constitui um modo peculiar de subjetivação.


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