Seminários Mundos Juvenis - 18 de Julho

 

Montando e desmontando corpos: relações entre travestilidades, religiões e equipamentos de saúde no Brasil


Gustavo Monzeli (Universidade Federal de São Carlos - Brasil)

Terapeuta Ocupacional, mestrando do Programa de Pós-graduação em Terapia Ocupacional da Universidade Federal de São Carlos. Membro do grupo de pesquisa METUIA – Terapia Ocupacional e Educação no Campo Social.

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Os processos de travestilidades são marcados por experiências de estigma e preconceito, uma vez que colocam em questão, dentre outros padrões, sistemas binários de gênero (masculino/feminino) e de sexualidade (heterossexual/homossexual). Nesse âmbito, busca-se a compreensão de práticas corporais e sociais, bem como a apreensão de dispositivos que envolvem construções de subjetividades que problematizam referenciais de normalidade em relação a sexualidades e gêneros, não partindo de padrões identitários fixados, mas sim compreendendo os sujeitos como provisórios, circunstanciais e cindidos. Especificamente, analisa-se a rede acionada pela família e por profissionais, a partir da constatação de "uso abusivo de drogas", tomando-se como base o caso de uma jovem de 17 anos que se auto reconhece como travesti. Trabalhou-se com uma abordagem etnográfica com um contato individual e com o acompanhamento da jovem e da família no seu território. A rede de assistência foi composta por instituições públicas, como é o caso do Conselho Tutelar e do Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS/AD) do município de São Carlos (interior do estado de São Paulo) e também por instituições privadas, neste caso, uma Comunidade Terapêutica com atendimento médico, psicológico, pedagógico e religioso. Destaca-se a articulação entre estas instituições com os objetivos de cura do vício e de adequação social, por meio da abstinência de substâncias psicoativas lícitas e ilícitas e da releitura de valores sobre trabalho, responsabilidade pessoal e vida social participativa, segundo valores judaico-cristãos. Sendo assim, discute-se a relação existente entre instituições públicas e outras de interesse privado, e como tais conexões incidem sobre sujeitos, em sua dimensão corporal e em suas experiências subjetivas, apoiando-se em práticas e discursos médicos e religiosos. Verificam-se processos de "desmontagens" que se dão dentro da heteronormatividade, para a qual certas existências são valorizadas e outras são marginalizadas ou consideradas inadequadas, a serem "tratadas" e reeducadas, apontando quem pode ser como é e quem precisa ser curado e transformado.



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