Corpo, saúde e sexualidades

 

Projectos:

 

Corporeidades hiper-disciplinadas: vivências e sentidos juvenis

Coordenação: Vítor Sérgio Ferreira

 

Sumário: O projecto de investigação pretende o aprofundamento da relação entre corporeidade e processos juvenis de (re)construção identitária, a partir do estudo de dois casos específicos: os comportamentos anorécticos e os comportamentos vigorécticos. Estes casos correspondem a manifestações juvenis cuja visibilidade se impõe pela singularidade e espectacularidade que enforma a respectiva expressão corporal, bem como pela relevância social que lhes é atribuída, enquanto comportamentos tidos como psico-patológicos em crescimento na sociedade portuguesa. O objectivo da investigação é o de inventariar a estrutura sócio-simbólica de que tais comportamentos se revestem enquanto referentes de construção identitária num dado momento do ciclo de vida.Objectivos: Propõe-se investigar algumas práticas desportivas e alimentares que pretendem a exploração «radical» da aparência do corpo, com o objectivo de compreender e interpretar os seus significados culturais e ancoramentos sociais. O que motiva alguns jovens a optar por determinado tipo de expressões corporais "radicais", muitas vezes enfrentando graves e elevados riscos físicos e sociais? Que configurações de sentido atribuem a esses corpos? Que condições sociais propiciam a sua emergência? Que efeitos produzem a sua assunção? Tais questões far-se-ão a partir de alguns domínios de observação ilustrativos de produções e utilizações juvenis do corpo geralmente consideradas «radicais»: os comportamentos anorécticos e vigorécticos, ou seja, comportamentos caracterizados pela adesão intensiva a regimes dietéticos muitas vezes acompanhados da ingestão de substâncias que prometem o emagrecimento (ex.: diuréticos) ou o aumento da massa muscular (ex.: anabolizantes) e de sobre-exercício físico.

Palavras-chave: Corpo, anorexia, vigorexia, juventude

Entre a escola e a família: conhecimentos e práticas alimentares das crianças em idade escolar 

Coordenação: Monica Truninger

Equipa: Ana Horta (ICS-UL), Vanda Aparecida da Silva, Sílvia Alexandre (SOCIUS).

Financiamento: Projecto FCT 2011-2013

 

Sumário: As estatísticas globais sobre obesidade e excesso de peso apontam para a existência de mais de um bilião de pessoas nesta situação [1], tornando-se um grave problema deste século. Esta questão é sobretudo preocupante no grupo das crianças, adquirindo contornos epidémicos: na Europa dos 25, estimativas recentes indicam que existem 22 milhões de crianças com excesso de peso, das quais 5,1 milhões são obesas [2]. Os escassos estudos realizados em Portugal mostram que no grupo etário dos 7-11 anos mais de 30% têm excesso de peso ou são obesas [3,4,5]. Isto é resultado de vários factores, entre eles uma dieta alimentar cada vez mais desequilibrada, onde as gorduras e os açúcares predominam [6]. Acresce ainda que uma parte substancial da vida da criança é, inegavelmente passada na escola, sendo crucial o seu papel e, em particular, o serviço de refeições na promoção de hábitos alimentares e estilos de vida mais saudáveis. Dada a pertinência deste tema, fortemente mediatizado, e a escassez de estudos sociológicos nesta área, tanto a nível internacional como, sobretudo, a nível nacional, este projecto visa compreender a organização e regulação dos sistemas de refeições escolares orientados para a alimentação saudável, a apropriação e os conhecimentos alimentares que as crianças têm, bem como os hábitos alimentares das famílias. Em Portugal, assim como na Europa, o serviço de refeições escolar tem sido bastante criticado pelo fornecimento de uma alimentação nutricionalmente desequilibrada, onde vigoram produtos com índices elevados de gordura, açúcar e sal. Mais, estes produtos têm normalmente origem em sistemas agro-alimentares intensivos, com impactos nocivos no ambiente, segurança alimentar e equidade social. Acrescem ainda as preocupações acerca dos fracos conhecimentos que as crianças têm sobre alimentação e culinária e a cada vez mais ténue relação da criança com estilos de vida saudáveis. Em resposta a estes problemas, tem vindo a ser implementada nalguns países europeus, uma reforma gradual do sistema público de refeições [7]. Portugal não é excepção e, nos últimos anos, foram lançadas algumas recomendações governamentais para as escolas e empresas de restauração colectiva de modo a incentivar mudanças nas ementas e bufetes escolares [8]. Em paralelo, a União Europeia financiou recentemente uma iniciativa – Regime de Fruta Escolar – que visa contribuir para a promoção de hábitos alimentares mais saudáveis nas populações jovens. Portugal aderiu a esta iniciativa que está a ser implementada no ano lectivo 2009/2010.Nalguns países, estratégias para a promoção da saúde, segurança alimentar e sustentabilidade têm passado por iniciativas de relocalização das compras públicas alimentares, incentivando-se a utilização de produtos locais ou de agricultura biológica [7, 9]. Em Portugal, estudos recentes concluíram que existe um crescente interesse pela produção e consumo de produtos nacionais e biológicos, e que as preocupações com a saúde são centrais no consumo ‘bio’ [10, 11].Assim, um conjunto de questões suscita o nosso interesse em explorar melhor as articulações entre o serviço de refeições escolar, os hábitos alimentares das crianças e os das suas famílias. Como é que as escolas portuguesas têm operacionalizado estas recomendações e iniciativas governamentais? Como é que as crianças têm apropriado a alimentação escolar onde, muitas vezes, as escolas estão rodeadas de um ambiente obesogénico? Será que as crianças estão expostas a informações consistentes sobre alimentação saudável na escola e em casa? Ou serão as mensagens e conhecimentos que adquirem contraditórios? Estas são as nossas questões de partida, inspiradas pelas conclusões de um estudo britânico que comparou o serviço de alimentação escolar no Reino Unido e na Itália. Este estudo contou com a participação da coordenadora desta proposta, onde foi conduzida uma investigação das práticas alimentares das crianças (e suas famílias) bem como dos seus conhecimentos alimentares. A escassa pesquisa sociológica sobre esta temática, a nível internacional e nacional, é a principal razão para adaptar aquele estudo ao nosso contexto, ajustando as metodologias já desenhadas e testadas por Mara Miele (consultora deste projecto). Os métodos combinam diários alimentares das crianças; grupos de discussão com crianças e pais; e entrevistas semi-directivas com os principais actores do sistema público de refeições. Para além da componente metodológica inovadora, o estudo cobre uma temática pouco analisada na sociologia do consumo, alimentação e infância – a aquisição de conhecimentos alimentares das crianças – informada pelas teorias da prática [12]. A equipa é jovem mas muito experiente e dedicada, com grande entusiasmo pelo tema, reunindo consultores de excelência nas áreas da obesidade, saúde pública, educação e escola, infância e família.

 

 

Experiências e representações da sexualidade entre jovens portugueses em meio rural

Coordenação: Vanda Aparecida.

Sumário: Trata-se de uma investigação com jovens de origem rural, residentes numa aldeia portuguesa do Baixo Alentejo. Minha hipótese é que a mobilidade dos jovens entre espaços distintos (rural ao urbano ou urbano rural), assim como as influências dos media tem desencadeado transformações nos valores e comportamentos. A curiosidade comparativa, entre o rural português e o rural brasileiro e os valores e comportamentos de outrora e de agora, foi despertada a partir de minhas permanências em Portugal, enquanto simultaneamente realizava, no Brasil, uma pesquisa com jovens de origem rural e a relação destes com sexualidade e família. Neste projecto o campo das preocupações refere-se às experiências e representações da sexualidade entre rapazes e raparigas portuguesas, em confronto/relação com os valores comportamentais da família, visando uma comparação de dois universos distintos, qual seja, uma localidade portuguesa e uma localidade brasileira.Objectivos: O presente projecto muito mais fundamentado nas pesquisas realizadas no Brasil diz da necessidade de conhecer, de maneira mais apurada, a realidade dos jovens portugueses de meio rural. Portanto, através da recolha de depoimentos orais e de observação etnográfica, pretende-se fazer o cruzamento dos relatos dos jovens sobre suas experiências com a sexualidade, a saúde reprodutiva e questões relacionadas com a prevenção de doenças sexualmente transmissíveis. Isto posto, pretendo:- analisar o processo de aprendizagem sociocultural ao qual estão sujeitos estes jovens do meio rural e quais as marcas do género que modelam as trajectórias de moças e rapazes no campo das representações e práticas sexuais;- descobrir as práticas rituais de rapazes e moças no processo de passagem da juventude à vida adulta e no que isto interfere no arranjo da família rural.
Palavras-chave: Jovens, Sexualidade, Experiências e Representações, Ruralidades


Publicações:

SILVA, Vanda Aparecida da.(2013 )"Nós vivemos para a festa": associação de jovens, os eventos e acontecimentos festivos. In: Vanda Aparecida da Silva & Renato Miguel Carmo (Orgs.). Mundo Rural: mito ou realidade? São Paulo: Annablume Editora.

SILVA, Vanda Aparecida da. (2011) Youth 'settled' by mobility: ethnography of a Portuguese village. In Charlotta Hedberg and Renato Miguel Carmo (eds.) "Translocal ruralism": Mobility and connectivity in European rural space. Springer. ISBN: 978-94-007-2314-6;

SILVA, Vanda. (2011) Também quero ser "gato": masculinidades e relações de subordinação, in Pedro Paulo Abreu Funari; José Geraldo Costa Grillo; Renata Senna Garraffoni (Orgs.), Sexo e Violência: Realidades Antigas e Questões Contemporâneas. São Paulo: Ed. Annablume. Apoio Fapesp. ISBN 978-85-391-0257-0

SILVA, Vanda Aparecida da. (2011) Interdições e prazeres: estigma,vergonha e constrangimentos. In: José Machado Pais, Renè Bendit, Vitor Sérgio Ferreira, Jovens e Rumos, Lisboa: Imprensa de Ciências Sociais. ISBN: 978-972-671-285-5

Silva, Vanda Aparecida. (2008) "Migration, sexualité et transition vers la vie adulte: l´expérience de jeunes d´origine rurale", in TELES, N. et SANTO, W.E. (dir.), Regard sur... Les jeunes du Brésil. Col. Regard sur la Jeunesse du Monde, Les Éditions PUL-IQRC.

ISBN 978-2-89224-364-2

SILVA, Vanda Aparecida da. (2011), Cruzando imagens em contextos rurais. Revista Pedagógica, v. 2, p. 17-48.

Silva, V., (2007) "Das experiências da sexualidade (no interior do Brasil, no interior de Portugal)" [Sexuality experiences (inland of the Brazil, inland of the Portugal]. Gomes Costa R., Janssen S., Vanlangendonck M. (ed.), Omertaa, Volume 2007/2

Silva, Vanda Aparecida (2008). Das experiências da sexualidade: no interior do Brasil, no interior de Portugal [Sexuality experiences (inland of the Brazil, inland of the Portugal]. In Cabral, M. V. [et al.]. Itinerários: a investigação nos 25 anos do ICS (pp.657-670). Lisboa: ICS. Imprensa de Ciências Sociais. ISBN 978-972-671-224-4

Silva, Vanda Aparecida (2010, Agosto). Para Ti Amor: o vídeo e a Imagem na Pesquisa sobre Sexualidade. Paper apresentado na 27ª Reunião Brasileira de Antropologia "Brasil Plural - conhecimentos, saberes tradicionais e direitos à diversidade", Universidade Federal do Pará. Belém, Pará. Brasil.

[For You Love: Video and Image in the Research on Sexuality. Paper presented at the 27th Meeting of Brazilian Anthropology "Brazil Plural - knowledge, traditional knowledge and rights to diversity"], Universidade Federal do Pará. Belém, Pará. Brasil.

Sexualidade e afectos juvenis

Coordenação: José Machado Pais.

Sumário: O projecto procura uma compreensão sociológica dos mecanismos da produção de afectos (e desafectos) entre os jovens,  e das teias de  condutas juvenis e de redes sociais que - a montante e a jusante do processo de produção de afectos - se lhes associam. Em suma, tentaremos ver em que medida os investimentos (ou desinvestimentos) afectivos e expressivos se traduzem em processos particulares de socialização (ou dessocialização).Objectivos: A forma como os jovens vivem os afectos determina o sentido que eles atribuem à vida. Os seus traços comportamentais em vários contextos da sua quotidianeidade (escola, família, sociabilidades, etc.) encontram-se ancorados à vivência dos afectos. É provável (hipótese a explorar) que os sentimentos em relação à vida quotidiana ou os investimentos em relação ao futuro estejam associados  à forma como os afectos são vividos. Como corolário, é também provável que algumas condutas de "rebeldia" ou de "risco"  (como consumos toxicodependentes)  expressem ausência de afectos ou  traduzam relacionamentos complicados na vida afectiva e sexual dos jovens. Problemas que tocam muitos jovens -como desinformação sexual, gravidezes indesejadas, contracção de DST's, angústias existenciais, dessocialização e desidentificação, isolamento, falta de auto-confiança, etc.- poderão ser adequadamente contornados com um conhecimento mais profundo e fundamentado da natureza e  determinantes destes.
Palavras-Chave: sexualidade, jovens, afectos



A educação sexual dos jovens portugueses - conhecimento e fontes

Coordenação: Pedro Moura Ferreira.

Equipa: Duarte Vilar.

 

Sumário: Nas últimas duas décadas do século XX, os jovens portugueses cresceram num contexto de mudanças profundas em termos da sua socialização sexual, ou seja, do conjunto de aprendizagens formais e informais sobre as questões relativas à sexualidade. Por um lado, e num contexto de liberalização de costumes, os meios de comunicação social, nomeadamente aqueles mais especificamente dirigidos aos jovens e a TV, integram crescentemente mensagens e temas de natureza sexual. Por outro lado, as próprias famílias, e num processo de mudança e reflexividade social, deixaram de poder "não falar" de temas de natureza sexual. Pais e filhos são confrontados, na cena familiar, com as mensagens sobre sexualidade que outros actores (meios de comunicação social, amigos) transportam para este contexto de comunicação e, assim sendo, podemos supor que se alteraram também os contextos de socialização familiar. Por outro lado ainda, o Estado integrou a sexualidade nas suas políticas de saúde, de educação e de juventude sob pressão de problemas emergentes relacionados com esta esfera, dos quais o mais proeminente foi, sem dúvida, a SIDA (mais até do que a gravidez na adolescência). Mais frequentemente, os jovens puderam aceder a acções de informação/educação realizadas por profissionais, seja no contexto da sala de aula, seja noutros contextos de aprendizagem formal. Fruto deste processo, os próprios jovens interagem de formas diferentes. A tradição já não é o que era e, sobretudo, as relações entre rapazes e raparigas sofreram mudanças profundas. Ou seja, poderão Ter-se operado mudanças importantes na socialização entre pares. Estas mudanças têm sido evidenciadas em alguns estudos sobre a juventude realizados, nomeadamente pelo IED (1983-85) e pelo ICS (1997). Frequentemente, o ME, a APF e outras instituições envolvidas em programas de educação sexual dos jovens são questionados sobre os progressos havidos na educação sexual nas escolas. Face a esta questão - ou seja, a amplitude da mudança alcançada - dois tipos de respostas costumam emergir: por um lado, posições que acham que os jovens estão já suficientemente informados pelo que a educação sexual na escola não é necessária; por outro, posições que apontam no sentido oposto, ou seja, que nada ou muito pouco mudou, que as escolas não fazem educação sexual e, portanto, que a maioria dos jovens portugueses não tem uma adequada educação sexual. Embora tenham sido feitos alguns estudos sobre os conhecimentos específicos dos jovens - nomeadamente os que integraram o projecto experimental de educação sexual entre 1995-98 -, não existe um conhecimento fundado e rigoroso nesta matéria. Esta lacuna de informação radica numa dificuldade real: a dificuldade que as próprias escolas têm de ter uma informação mais ou menos exacta do que se passa no seu interior. A alternativa, é perceber a situação da educação sexual através dos seus destinatários, nomeadamente os jovens que estão a acabar o ensino básico ou o ensino secundário. Em termos metodológicos, o projecto contemplará as seguintes etapas:- Será realizado um levantamento prévio de instrumentos já existentes e que possam ser aplicados no estudo.- Serão construídos e pré-testados dois questionários para recolha dos dados referidos.- Serão constituída duas amostras estruturadas e por quotas, representando jovens que estão a concluir o 9º ano e jovens que estão a concluir o 12º ano de todo o território nacional. As duas amostras justificam-se por um lado, para incluir jovens em estádios de desenvolvimento diferentes, para evitar distorções de memória, e devido ao abandono escolar que se verifica na passagem do ensino básico para o ensino secundário.- Os questionários serão aplicados através da rede de contactos que a APF tem e como o apoio da CCPES, após terem sido obtidas as autorizações respectivas.- A informação será tratada informaticamente e com os procedimentos estatísticos adequados, sendo elaborados os respectivos relatórios.Objectivos: O objectivo geral deste estudo é o de compreender de forma rigorosa e periódica, o actual nível de educação sexual dos jovens portugueses escolarizados e o papel da escola e dos professores neste processo, a partir da informação recolhida nos próprios destinatários da educação sexual, ou seja, os jovens. São objectivos específicos deste estudo obter um conhecimento mais rigoroso sobre:- a qualidade dos conhecimentos dos jovens sobre diversos tópicos relevantes da sua educação sexual; - a importância dos diferentes agentes de socialização no processo de educação sexual do jovens; - a intervenção específica da escola e dos professores neste processo; - a diversidade existente entre os jovens em matéria de educação sexual em termos de género, condição social e situação geográfica.
Palavras-Chave: Juventude, Sexualidade, Educação sexual

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