Educação, formação e aprendizagens

 

Projectos:


Gestão e Financiamento das Escolas

Coordenação: Ana Nunes de Almeida; Maria Manuel Vieira

Data: 04/2015 – 03/2016

Financiamento: Fundação Calouste Gulbenkian
 

Sumário: A realização de um primeiro Estudo Preliminar “Projeto Gestão e Financiamento das Escolas” financiado pela Fundação Calouste Gulbenkian e já concluído (Março-Junho 2014), permitiu mapear, através de uma metodologia extensiva, alguns contornos das tendências recentes de gestão e financiamento das escolas de ensino básico e secundário em Portugal; e permitiu simultaneamente entrever, entre lacunas e opacidades, uma realidade educativa bem mais complexa do que aquela espelhada nos indicadores estatísticos e nos textos legislativos enquadradores das políticas de educação.

As pistas e interrogações a que a pesquisa anterior conduziu suscitaram o interesse pela exploração de outras dimensões e recantos da realidade educativa, agora com outras ferramentas metodológicas. Depois de uma pesquisa de natureza exploratória, este segundo estudo visou aprofundar, através de uma abordagem qualitativa, os processos e dinâmicas com que os atores traduzem, redefinem e fabricam, à escala local e no quotidiano, as políticas de gestão e financiamento das escolas. Tratou-se, no fundo, de entrar no terreno e decifrar uma “caixa negra” cujos circuitos e conteúdos internos estão em grande parte por descobrir.

Desenvolvido entre abril de 2015 e março de 2016, o estudo decorreu em duas etapas. Numa primeira, pretendeu-se captar a voz dos atores institucionais para entender o ponto de vista dos vários representantes institucionais das partes interessadas e intervenientes no processo educativo: pais, escolas, Estado, professores, autarquias. Realizaram-se 8 entrevistas aprofundadas aos seus principais porta-vozes.

Uma segunda etapa envolveu a imersão no terreno e seguiu uma metodologia qualitativa de estudos de caso. Selecionaram-se seis escolas no Continente que ilustram lógicas distintas contemporâneas do sistema educativo: três na Área Metropolitana de Lisboa, duas na Região do Baixo Mondego e uma na Região do Alentejo Central. A localização foi definida em função do peso desigual que os subsistemas de ensino adquirem naquelas NUTS III e de modo a assegurar uma pluralidade de contextos, recursos (humanos, técnicos, financeiros) e formatos organizacionais das instituições de ensino.

Em cada uma das 6 escolas, realizaram-se entrevistas individuais e em profundidade a protagonistas das comunidades educativas: o/a Diretor/a; o elemento cooptado para o Conselho Geral (no caso das escolas públicas); o/a Presidente ou membros da Associação de Pais. Com os alunos e alunas, organizaram-se 6 grupos focais. Para melhor se enquadrar a escola no espaço envolvente e nas políticas educativas locais, efetuaram-se também entrevistas aos 3 vereadores da educação de cada um dos municípios envolvidos.

Por outro lado, foi conduzida uma análise sistemática da documentação produzida pelas escolas: projetos educativos e regulamentos internos, planos anuais de atividades e contratos de autonomia; ideários educativos e pedagógicos; regulamentos administrativos; matrizes curriculares; normas de convivência, regime disciplinar e assiduidade. No que se refere às Câmaras, consultaram-se websites, cartas educativas, guiões municipais de educação, atas e legislação.

A observação e as notas de campo, a etnografia digital (uma análise dos sítios das escolas, das associações de pais, alunos ou antigos alunos, bem como das respetivas páginas de Facebook) completam o conjunto de técnicas com que o terreno foi abordado. 

Objetivos: 
Enquadrado nos resultados da pesquisa anterior, este estudo qualitativo visou compreender por dentro, dando voz aos protagonistas no terreno, as lógicas de gestão e financiamento das escolas.
 

Escolas que fazem melhor: o sucesso escolar dos alunos descendentes de imigrantes na escola básica

Coordenação: Teresa Seabra

Equipa: Teresa Seabra (P.I.) (ISCTE-IUL); Maria Manuel Vieira (ICS-UL), Patrícia Ávila (ISCTE-IUL), Sandra Mateus(ISCTE-IUL)

Data: 01/02/2012 – 31/01/2014

Financiamento: Fundação para a Ciência e Tecnologia (PTDC/CS-SOC/119797/2010)

Sumário: Com a presente proposta pretende-se dar continuidade a uma pesquisa que acaba de ser concluída (Seabra e outros, 2010) e que revelou resultados merecedores de aprofundamento. Trata-se da análise dos resultados obtidos pelos alunos da escolaridade básica em exames nacionais (provas de aferição do 4º e 6º anos de escolaridade em 2008/09), considerando, por um lado, as condições socioculturais dos alunos e, por outro, os resultados obtidos por cada escola. Foi possível identificar escolas que, tendo populações escolares em semelhantes condições sociais (escolaridade, classe social dos pais e países de origem), obtiveram resultados significativamente distintos (considerando a média e o desvio-padrão das classificações obtidas a Português e a Matemática). Que variáveis escolares sustentam esta diferença de resultados? Que práticas e representações específicas produzem esta mais valia no desempenho escolar, ou seja, que condições e processos intraescolares fazem com que os resultados obtidos pelo conjunto dos seus alunos se situem acima do "expectável"? O objectivo central da pesquisa é o de apreender, através do conhecimento aprofundado das escolas (sua organização e funcionamento, clima organizacional, práticas e representações dos docentes), as especificidades escolares que contribuem para a diferenciação de resultados entre escolas, tendo como ponto de partida alunos com um perfil social semelhante. A pesquisa articulará, de forma complementar, uma componente extensiva-quantitativa e outra intensiva-qualitativa (estudo de caso múltiplo). Sabendo que é a Área Metropolitana de Lisboa (AML) é a região do país onde se concentra o maior contingente de alunos com origem imigrante (em 2003/04, último ano lectivo de que dispomos informação estatística, 70% dos alunos de origem imigrante frequentavam escolas desta região (Seabra, 2008) e conhecendo a significativa presença da reprovação nestes primeiros anos de escolaridade (dos 40 528 alunos analisados em Seabra e outros (2010), 13.5% já tinham reprovado quando frequentavam o 4º ano de escolaridade e essa situação já tinha sido vivida por 23.4% dos alunos do 6º ano) e o agravamento dos resultados obtidos nas provas do 4º para o 6º ano (a Matemática duplica a proporção de classificações negativas), decidiu-se manter a delimitação do objecto empírico do estudo realizada anteriormente (Seabra e outros, 2010): alunos do 4º e 6º ano que realizaram provas de aferição na AML. As bases de dados que sustentam esta vertente extensiva da pesquisa resultarão de duas existentes no Ministério da Educação (no GAVE e no MISI) e terão a escola, a classificação obtida nas provas, o sexo, a naturalidade e a nacionalidade do aluno e a caracterização social das suas famílias (profissão, situação na profissão, escolaridade, naturalidade e nacionalidade de cada um dos pais). Depois de termos sedimentado (ou não) as conclusões retiradas nos estudos precedentes quanto à relação dos resultados escolares com as características sociais e culturais das famílias, e identificadas, com segurança, as escolas que "fazem melhor", realizar-se-á um estudo comparativo de 4 escolas (2 do 1º ciclo e 2 do 2º ciclo). Através do confronto entre as dinâmicas existentes nas escolas que revelam um desempenho acima do "expectável" e as que, tendo populações escolares com perfil social semelhante, não conseguem esses bons resultados, identificaremos um conjunto de especificidades escolares produtoras de (in)sucesso escolar. Confrontaremos as escolas quanto ao perfil de liderança, aos documentos que enquadram a sua actividade (projecto educativo, regulamento interno, plano anual de actividades), à organização das turmas e turnos e analisaremos as práticas pedagógicas implementadas pelos respectivos docentes, bem como as representações da sua actividade e do papel da escola nas sociedades actuais. Na componente extensiva da pesquisa, a análise dos dados far-se-á com recurso à estatística descritiva, à estatística inferencial e à estatística multivariada e na componente intensiva utilizar-se-á uma multiplicidade de técnicas de recolha e tratamento da informação: observação participante (de recreios, reuniões e aulas); conversas informais com docentes, funcionários e alunos; questionários aos alunos do 4º e do 6º ano; entrevistas a docentes e a pais (focus-group); análise estatística de dados disponíveis na escola; análise de conteúdo de documentos e das entrevistas. Com os resultados obtidos pretende-se contribuir para o conhecimento das condições e processos escolares que favorecem o sucesso dos alunos nos primeiros anos da escolaridade, disponibilizando resultados inovadores que constituirão um apoio na tomada de decisões políticas, nomeadamente, na promoção do sucesso escolar dos alunos descendentes de imigrantes. No nosso país, o conhecimento do "efeito-escola" e do "efeito-professor" é diminuto (Pereira, 2010; Portela e outros, 2007) e inexistente no caso específico dos alunos terem origem imigrante.

Insucesso e abandono escolares na universidade de Lisboa: cenário e percursos

Coordenação: Ana Nunes de Almeida

Equipa: Maria Manuel Vieira, Isabel Margarida André, Maria Natália Alves (núcleo OPEST) e 22 investigadores da UL

 

Sumário: Em contexto europeu, Portugal entra tarde na modernidade educativa. O forte investimento público no sistema de ensino, a implementação da escolaridade obrigatória efectiva, a democratização e generalização da experiência escolar verdadeiramente começam nas últimas 3 décadas. A sua emergência faz-se acompanhar de intensos e rápidos ritmos de mudança. Distante da escolaridade obrigatória, o ens. superior surge no termo de uma longa trajectória marcada por etapas eliminatórias. Até há bem pouco tempo, a Universidade surge como um destino escolar extremamente limitado e selectivo. Hoje, dificilmente abrange a maioria dos jovens (em 2000/2001, 30% dos Portugueses com 20 anos frequenta o ensino superior - 31% na UE-15), mas um significativo esforço político tem sido feito para expandir o nº de alunos no ensino superior: este decuplicou nos últimos 30 anos, apesar do drástico mecanismo de numerus clausus em vigor. Entretanto, a feminização tornou-se uma nova tendência muito vincada e contínua (desde a década 70, séc XX); a expansão da oferta pública regional de ensino universitário e politécnico, bem como a do ensino particular e cooperativo tem contribuído para quebrar o monopólio tradicional de Lisboa-Porto-Coimbra, aumentar e diversificar a oferta de cursos. Macro-mudanças estruturais sustentam a viragem: a melhoria das condições de vida, o acentuado declínio das taxas de fecundidade e a redução das descendências, novas representações sobre a criança e o jovem, a mobilização activa das famílias em torno do diploma escolar dos filhos (entendido como o instrumento legítimo de acesso às posições sociais de privilégio) são factores a ter em conta. Particularmente elevado no 1º ano, o insucesso escolar (reprovação, abandono ou alongamento dos estudos), é um problema maior do ensino superior. A UL não é uma excepção: a "taxa de insucesso escolar" oficial para 2003-2004 aproxima-se dos 41% - variando entre um máximo de 55% (Fac. de Letras) e um mínimo de 4.5% (Fac. de Medicina). Mobilizando alguns dos seus investigadores e decisores num processo de "reflexividade continuada", um grupo tem trabalhado desde 2004 na questão do "insucesso escolar da UL" – discutindo quadros teóricos e conceptuais que o constroem como problema científico; recolhendo, tratando e interpretando a informação empírica disponível; concebendo instrumentos metodológicos para medir a sua incidência e modalidades; planeando a intervenção e a monitorização de comportamentos, competências e trajectórias de estudantes. Identificou-se, aliás, um paradoxo entre a percepção do insucesso pela perspectiva institucional dominante (negativamente entendido como sinónimo de ausência de competências académicas) e o ponto de vista individual do jovem (que eventualmente o concebe como etapa experimental de uma entrada a pequenos passos na condição adulta). A relevância e relativa invisibilidade do "insucesso escolar" no ensino superior, como problema social e científico, a importância do seu estudo para o desenho de políticas inclusivas estão na origem desta candidatura. Associa investigadores e docentes da UL (de 4 Faculdades: Letras, Ciências, Psicologia e Ciências da Educação, Direito; do Instituto de Ciências Sociais) numa equipa coordenada por uma das Pró-Reitoras, ela própria socióloga e investigadora.
Objectivos: 1) discutir conceitos e teorias que constroem o "insucesso escolar" (nas suas várias modalidades) como problema dos sistemas de ensino superior. Uma especial atenção será concedida ao debate contemporâneo sobre, por um lado, a "condição juvenil" em sociedades (e famílias) fortemente individualizadas, nas quais o "risco" parece modelar os processos de construção e procura de identidade; e, por outro, sobre visões contrastadas da missão da ciência – ora evidenciando e explicando tendências globais, ora descobrindo e compreendendo "trajectórias improváveis";
2) recolher dados (nacionais e internacionais) que permitam contextualizar o caso específico da UL no universo português e europeu;
3) seleccionando o contingente de recém-chegados e os 1º/2º ano de frequência universitária, caracterizar a incidência e as modalidades do insucesso escolar na UL – nas suas várias faculdades, cursos, disciplinas (através da aplicação de um inquérito por questionário). Prevê-se uma abordagem longitudinal: para a mesma coorte de alunos, estabelecem-se comparações sistemáticas entre o 1º e o 2º momento de inquirição;
4) explicar as tendências maiores detectadas, relacionando os resultados obtidos com a origem social, a condição de género, o background escolar, a actividade profissional dos alunos;
5) recolher e interpretar as representações que os alunos têm do insucesso escolar, no âmbito de processos de transição para a vida adulta em sociedades onde individualização e risco estruturam as condições de vida; estão previstos 4 estudos de caso e a realização de entrevistas compreensivas;
6) fazer recomendações aos decisores institucionais (a equipa reitoral da UL), no sentido de baixar comportamentos e custos do insucesso escolar.
Palavras-chave: Universidade, insucesso, abandono, contexto, trajectórias;

 

Os estudantes à entrada da UL: 2010/11. Ana Nunes de Almeida, Isabel André, Maria Manuel Vieira, Natália Alves, Valentina Oliveira Edição: Reitoria da Universidade de Lisboa, 2011.

Caloiros da UL: um ano depois. Ana Nunes de Almeida, Isabel Margarida André, Maria Manuel Vieira, Natália Alves, Valentina Oliveira. Edição: Reitoria da Universidade de Lisboa, 2010.

At the entrance gate: students and biographical trajectories in the University of Lisbon. Ana Nunes de Almeida, Maria Manuel Vieira. Portuguese Journal of Social Science Volume 8 Number 2, 2009.

 

Transformações do ensino superior Portugal - Brasil (1985-2009)

Coordenação: Maria Manuel Vieira e Este endereço de e-mail está protegido de spam bots, pelo que necessita do Javascript activado para o visualizar (UNB).

Equipa: Ana Nunes de Almeida, Natália Alves, Vitor Sérgio Ferreira, Fernanda Sobral, Clarissa Baeta neves, Mariza Veloso, Wivian Weller, Ana Maria Nogales, Cristina Patriota de Moura, Christiane Machado Coelho.
Financiamento: Projecto desenvolvido no âmbito do Convénio de Cooperação Científica e Tecnológica FCT/CAPES- 2010/2011

 

Objectivos: Tomando como arco temporal o período de 1985 até à actualidade, o presente projecto tem como objectivo central consolidar um dispositivo de comparação e análise sistemática de traços estruturais e de tendências de mudanças ocorridas nos sistemas de ensino superior português e brasileiro.Tendo em conta que ambos os sistemas apresentam certas tendências estruturais comuns – expansão acelerada do acesso, diversificação institucional, hierarquização social e académica das instituições e cursos, internacionalização crescente – é pertinente a comparação das dinâmicas observadas, quer a nível macro quer numa escala micro. Sem perder de vista a comparação de temas à escala nacional – nomeadamente, a expansão do sistema, a diversificação institucional, as políticas de reforma universitárias nos dois países - o foco do presente projecto incide particularmente na análise comparativa entre as Universidades de Lisboa e de Brasília por configurarem-se como instituições com densidade histórica em cada um dos países e, por se situarem em espaços homólogos - as respectivas cidades capitais - com forte centralidade cultural, científica, política e simbólica. Assim, pretende-se analisar de forma empírica os percursos dos estudantes dessas duas instituições antes, durante e depois da sua formação universitária. Ao mesmo tempo, procura-se analisar comparativamente a hierarquização académica e social dos cursos que integram ambas instituições.
O Observatório dos Percursos dos Estudantes da UL (OPEST) vem, desde meados da década de 1990, monitorizando a trajectória académica dos seus estudantes e sua inserção na vida profissional. Nesse sentido, pretende-se reunir sinergias potenciando um trabalho conjunto entre o OPEST e um Observatório similar a ser criado na Universidade de Brasília (o Observatório sobre a Vida Estudantil) visando reunir e analisar dados sobre determinados aspectos dos estudantes da Unb (trajectórias escolares, práticas culturais, estilos de vida, projectos de futuro, sistemas de valores e inserção profissional).

O futuro em aberto: incertezas e riscos nas escolhas escolares

Coordenação: Maria Manuel Vieira

Equipa: Lia Pappamikail, José Manuel Resende, Ana Maria Alves Ribeiro, Cristina Ponte, Bruno Miguel Dionísio, Maria Benedita Portugal e Melo, Alexandra Raimundo, Ana Bela Andrade
 

Sumário: Num estudo anterior em que participámos (PIQS/SOC/50013/2003), visando caracterizar e explicar a construção de percursos escolares e de inserção de jovens no mercado de trabalho, fomos confrontados com um dado particularmente surpreendente e estruturante das respostas obtidas na pesquisa empírica. O inquérito por questionário - uma das técnicas utilizadas nesse estudo - incidindo sobre um universo de 1929 jovens, rapazes e raparigas, estudantes do 3º ciclo do ensino básico e do secundário de escolas públicas do país, devolvia-nos uma constante, na resposta à pergunta "Se sim (pretendes continuar a estudar após o 12º ano) que curso pretendes seguir depois do secundário?" - era ela a significativa proporção de "indecisos" entre os inquiridos do ensino secundário. Este revela-se um paradoxo interessante: jovens que realizaram uma escolha (prosseguir estudos, numa dada via de estudos e num agrupamento específico), mas não sabem o que fazer com ela. A indeterminação e a incerteza parecem reinar entre alguns dos jovens do ensino secundário. Ora, a incerteza de caminhos coloca a questão do sucesso escolar: se não se sabe o que escolher, significa que fica em aberto a possibilidade de experimentação, através de tentativa e erro (insucesso), até à descoberta de uma "verdadeira" vocação. Mobilizando algumas das teorias da individualização, a investigação aqui apresentada pretende questionar, a partir do ponto de vista dos estudantes, a perspectiva institucional de definição do sucesso escolar. Esta assenta numa concepção linear, sem rupturas, do percurso académico, pautada pela transposição das sucessivas etapas previstas na estrutura curricular do curso, e pressupõe o não questionamento da opção inicialmente realizada pelo aluno. Ora, esta definição de sucesso pode não corresponder, necessariamente, a uma experiência vivida como sucesso para o estudante. Com efeito, em contextos de modernidade avançada, a procura activa da realização individual, por parte de cada jovem, pode por vezes determinar o questionamento das escolhas e conduzir à reversibilidade de percursos, ou seja, à possibilidade de estes serem sinuosos, não lineares, retardados relativamente ao tempo-padrão institucionalmente previsto de permanência num dado curso. Tempo institucional e tempo individual de sucesso escolar podem, assim, não coincidir. Contudo, a construção de um percurso elaborado por etapas só lineares na aparência, apesar de ser vivido como um livre arbítrio, está longe de o ser na realidade. Ele é perpassado por constrangimentos e influências várias, que importa realçar. Da família, por um lado. Apesar de a autonomia existencial hoje tender a dissociar-se da independência social e económica, os constrangimentos económicos familiares podem condicionar claramente (im) possibilidades de futuro. Da escola, por outro, como contexto institucional cuja oferta escolar disponível estabelece um quadro limitador das escolhas; mas também dos seus profissionais, que se apresentam eles próprios como modelos vocacionais e como importante fonte de informação (os professores e os orientadores escolares). Dos amigos e redes de sociabilidades juvenis, cuja proximidade e durabilidade temporal como espaço socializador (dentro e fora da escola) configura a descoberta colectiva de vocações, e estabelece-se como rede intensa de troca de informações e como "comunidade cabide" para partilha das angústias da escolha. Dos media, da imprensa e em particular da televisão que, constituindo na modernidade, uma das mais fortes possibilidades de rompimento com a "situacionalidade do lugar", favorecendo a separação do tempo e do espaço (Giddens, 2001), fornece aos jovens, mas também às suas famílias, grupos de referência (vocacionais, profissionais, de estilos de vida) mais amplos do que os disponíveis a nível local. Neste estudo, pretendemos também apurar a interferência destes factores sociais no processo de escolha individual de uma dada via escolar e, assim, testar os limites e potencialidades das teses da individualização.
Objectivos: O presente projecto tem por base as teorias sobre a individualização aplicando-as ao processo de orientação escolar e as opções de escolha. Os seus objectivos são:
a) testar a adequabilidade dos principais argumentos do processo de individualização aplicados às escolhas escolares ao nível do ensino secundário em Portugal.
b) captar as perspectivas e representações dos alunos, colocando-os no centro da análise em termos das escolhas escolares.
c) questionar a definição institucional de "sucesso escolar", com base na sua linearidade e nos percursos irreversíveis, tendo por base o ponto de vista dos alunos (na procura da sua verdadeira vocação), permitindo, assim, obter uma visão mais aprofundada deste problema educativo, bem como contribuir com conhecimentos científicos adicionais para os decisores políticos.
d) promover uma abordagem comparativa destes fenómenos escolares, contrastando a situação Portuguesa com a Brasileira.
 

Observatório dos Territórios Educativos de Intervenção Prioritária

Coordenação: João Teixeira Lopes

Equipa: Maria Manuel Vieira, José Resende, Benedita Melo, Bruno Dionísio, Pedro Caetano, Hernâni Neto.
Financiamento: Projecto FCT nº FSE/CED/83553/2008
 

Sumário: O presente projecto visa a constituição de um observatório que desenvolva planos de observação e avaliação sistemáticos sobre os territórios educativos de intervenção prioritária (TEIP). Os TEIP foram implementados em Portugal em 1996 tendo, desde então, sofrido alguns avanços e recuos na sua concretização. Inspirados, em boa medida, na criação das «zones d'éducation prioritaires»(ZEP) em França (1988), por sua vez devedoras das ZP (zones prioritaires - denominação original de 1981), colhem ainda influência das experiências pioneiras nos EUA (Relatório Coleman em 1966, onde a escola surge como variável estatisticamente nula ("schools make no difference"/o sistema explica tudo) e no Reino Unido (Relatório Plowden, 1967: as diferenças entre famílias têm maior poder explicativo das desigualdades de desempenho discente do que as diferenças entre as escolas). \nActualmente centrados nas áreas metropolitanas de Lisboa e de Porto, os TEIP têm-se orientado quer para uma acção compensatória, baseada no princípio de que o sistema pode e deve compensar a desigualdade através de uma prioridade em termos de meios (dar mais a quem tem menos) e de atenção (projectos, formação, avaliação); quer para o reforço da fecunda dialética «recentragem sobre a escola/abertura através de parcerias» e de contacto activo com o território envolvente, os seus recursos, instituições e populações (que se traduz numa certa territorialização das próprias políticas educativas e na própria ideia de «projecto educativo»); quer na criação de infraestruturas (pavilhões desportivos, refeitórios, bibliotecas escolares), quer, ainda, numa integração dos ciclos de ensino (já que as descontinuidades acentuam as fragilidades do sistema) e no combate ao absentismo, abandono e insucesso escolares. Para concretizar o objectivo de constituição de um observatório que se prolongue no futuro através da aquisição de rotinas baseadas na construção de indicadores e dispositivos de avaliação, optaremos por efectuar um levantamento e análise crítica dos relatórios de auto-avaliação produzidos pelas 36 escolas que se constituem actualmente como TEIP. Esta aproximação permitirá não só encontrar regularidades, tendências e contratendências como detectar «efeitos-escola e possibilidades de multiplicação e de tradução de boas práticas. De igual modo, será possível confrontar a autoavaliação das escolas com contradições e insuficiências, tornando-se possível, no limite, criar um corpo de dimensões e indicadores de avaliação que estimulem um salto qualitativo na observação destas escolas. Por outro lado, ao propormos trabalho de terreno (mediante a aplicação de entrevistas e a recolha de documentos) em duas escolas da área metropolitana do Porto e em outras duas da área metropolitana de Lisboa (em cada caso, uma das escolas situada no concelho sede da metrópole, outra na periferia) seremos capazes de monitorizar, in loco, a articulação entre um nível macro (políticas educativas, mercado de trabalho e dinâmicas territoriais), um nível mezzo (o ethos de cada escola, a sua cultura organizacional e institucional) e as práticas e representações (nível micro) das lideranças. O observatório, produto fundamental deste projecto, ampliará a reflexividade na aplicação e monitorização das políticas públicas.

 

L'éducation et la formation des elites du secondaire au supérieur : clôture sociale et ouverture internationale

Coordenação: Agnès Van Zanten

Equipa: Brigitte Darchy-Koechlin, Hélène Buisson-Fenet, Nathalie Mons e Elise Tenret (França), Geoffrey Walford (Oxford University, Inglaterra), Christian Maroy (Université Louvain la Neuve, Bélgica), Ivan Bajomi (Universite ELTE Budapest, Hungria), Sverker Lindblad (Goteborg University, Suécia).
Financiamento: Agence Nationale de Recherche (França)
Data: 2006-2008

 

Sumário: The overall objective of the project « The education and training of elites from secondary to higher education: social closure and international engagement » (EDUC-ELITES) is to examine transformations in the school careers and experiences of pupils and students in elite institutions. It will focus on the analysis of closure and exclusionary institutional and individual strategies on one side and on engagement and “usurpatory” strategies for improvement of social position on the other. The project will focus on three main themes:
- An examination of developments in policies on the training and selection of elites in France and the effect of these in comparison with other OCDE countries
- An analysis of strategies to ensure “social closure” on the part of secondary and higher institutions of education and their users;
- A study of modes of “international engagement” and their importance in the educational qualifications of future elite

Objectivos:
-A better understanding of the relative importance of national policies, educational institutions and users (parents and students) in the production of educational and social elites, their modes of influence and their interaction;
-The effects of present modes of elite production on competition between social groups and educational inequalities.

 

As artes do ofício: aprender, divulgar e experimentar as Ciências Sociais

Coordenação: Ana Nunes de Almeida e Maria Manuel Vieira.

Equipa: Alexandra Raimundo
Financiamento: Projecto de Divulgação da Cultura Científica e Tecnológica, financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (Projecto POCI/DIV/2005/00118).
Data: 2005-2006

 

Sumário: As Artes do Ofício procuram pôr me prática uma das missões estratégicas de um Laboratório Associado: a abertura à sociedade civil dos centros de investigação de ciências sociais; a divulgação dos produtos da ciência, das sua modalidades de produção, protagonistas e carreiras profissionais junto de franjas cada vez mais alargadas de público; a demonstração da utilidade social do conhecimento científico.
Objectivos principais: 1) induzir nos jovens o gosto pela investigação e pela cultura científicas; 2) proporcionar a jovens do ensino secundário de escolas públicas experiências de investigação no domínio científico das ciências sociais; 3) sensibilizar as comunidades educativas abrangidas por essas escolas (alunos, pais, professores, pessoal não docente, associações locais, autarquias) para as Ciências Sociais - as suas profissões e saídas profissionais, os produtos da sua investigação; 4) colaborar activamente em processos de investigação de iniciativa escolar, colocando ao serviço da escola saberes, métodos e técnicas de investigação em ciências sociais que lhe permita desenvolver estudos sobre a sua própria realidade educativa e evidenciando a utilidade social do conhecimento científico.

 

 

Insucesso escolar na Universidade de Lisboa. À entrada: um retrato sociográfico dos estudantes inscritos no 1º ano

Coordenação: Ana Nunes de Almeida e Maria Manuel Vieira.

Equipa: Alexandra Raimundo
Financiamento: Projecto integrado no programa de investigação "Percursos escolares dos estudantes da Universidade de Lisboa", Reitoria da UL.

 

Estudo 2 -À entrada: Um retrato sociográfico dos estudantes inscritos no 1ª ano. Ana Nunes de Almeida, Maria Manuel Vieira, Alexandra Raimundo Edição: Reitoria da Universidade de Lisboa, Maio de 2006.

Sociological approaches to schoolage youth in various countries of Europe

Coordenação: José Machado Pais.

Financiamento: projecto apoiado pela Comunidade Europeia (Task Force «Human Resources, Youth, Education, Training» e pelo Institut National de Recherche Pédagogique de Paris.
Data: 1995-1996

  • Faixa publicitária
  • Faixa publicitária
  • Faixa publicitária

Contacte-nos