Habitação, vida familiar e laços sociais

 

Projectos em Curso:

 

Trajectórias familiares e redes sociais: percursos de vida numa perspectiva intergeracional

Coordenação: Karin Wall

Equipa de investigação: Sofia Aboim, Vanessa Cunha, Lia Pappámikail, Rita Gouveia, Vasco Ramos, Cátia Nunes (ICS) e Maria das Dores Guerreiro, Pedro Vasconcelos, Cristina Ferreira, Helena Carvalho (Cies-ISCTE)

 

Sumário: Um dos traços emblemáticos da modernização da vida familiar nas sociedades ocidentais reside na diversificação das trajectórias familiares dos indivíduos, hoje mais libertos dos constrangimentos do passado para construírem as suas biografias. A queda da nupcialidade e da natalidade, o aumento dos divórcios e dos recasamentos, bem como a emergência de modos alternativos de viver em casal, constituem transformações que alteram o formato das trajectórias familiares, bem como os entrelaçamentos entre indivíduo e família. Uma segunda mudança fundamental encontra-se nas redes sociais que envolvem os indivíduos ao longo da vida, pois estas tornaram-se também mais plurais, tanto nas suas funções (de contacto, de apoio emocional, económico, quotidiano) como na sua organização interna, hoje mais centrada nas afinidades electivas do que nos limites estreitos do parentesco. Mesmo que largamente rebatida a tese do isolamento da família nuclear e comprovada a persistência do apoio familiar, estão por identificar os processos de (re)constituição das redes sociais dos indivíduos ao longo da vida. Mais, é necessário estudar os equilíbrios entre laços de sangue ou aliança e de afinidade, bem como caracterizar as múltiplas funções das redes. Estabelecer a articulação entre trajectórias e redes sociais é, pois, um desafio fundamental de pesquisa. Partindo de ambas as problemáticas, este projecto junta dois eixos teóricos e propõe um duplo objectivo. (1) Por um lado, reconstituem-se as trajectórias familiares de homens e de mulheres portugueses de diferentes gerações, investindo numa perspectiva de análise do curso de vida. Observa-se a configuração e a diversidade das trajectórias, considerando os momentos de viragem biográfica relevantes na história familiar e pessoal do indivíduo. (2) Por outro, analisa-se o impacto dessas trajectórias na rede de relações familiares e sociais dos indivíduos. Investiga-se, em suma, a hipótese de que a diversificação das trajectórias familiares, fundada na multiplicação de transições possíveis (individuais, conjugais e parentais), contribui para reconfigurar a estrutura e as funções das relações sociais dos indivíduos (de parentesco mas também de amizade e inter-conhecimento; de apoio mas também de sociabilidade). O nascimento de um filho, o divórcio, a recomposição familiar, o desemprego, ou qualquer momento crítico de transição podem levar a reconfigurações inesperadas da rede social do indivíduo. A complexificação das biografias individuais afecta não só as dinâmicas conjugais e parentais, mas ainda as relações sociais primárias no seu conjunto. Para além de se recolocar as trajectórias familiares no seu contexto relacional alargado, nesta investigação propõe-se uma comparação entre três gerações de homens e de mulheres, ligando o tempo familiar ao tempo social e à mudança inter-geracional. Em cada geração analisam-se as características da rede social, investigando o impacto gerado, no presente, por diferentes trajectórias familiares. A óptica inter-geracional permite acompanhar o movimento de diversificação das trajectórias familiares ao longo das últimas décadas e comparar o impacto de biografias construídas em diferentes tempos históricos sobre as transições familiares e as relações sociais dos indivíduos. A junção das duas componentes segue tendências recentes de pesquisa, investindo na articulação entre a análise biográfica dos percursos de vida e a da mudança social e histórica. O desenho metodológico do estudo adopta uma perspectiva teórica que conceptualiza as trajectórias familiares, as redes sociais e as gerações no quadro de duas outras clivagens: a classe social e as relações de género. Seleccionam-se homens e mulheres, entre os 30 e os 65 anos, a viver em diferentes tipos de família (sozinhos e em casal, com e sem filhos) e possuidores de diferentes capitais escolares e sócio-profissionais. A cada geração de entrevistados(as) corresponde um diferente tempo de entrada na vida adulta. Entre os 30 e os 40 anos encontramos representantes de uma geração cujo percurso teve já como cenário o Portugal da União Europeia. A geração intermédia, entre os 40 e os 55 anos, retrata o país das grandes mudanças do pós-25 de Abril; a dos indivíduos entre os 55 e os 65 anos transporta as heranças do Estado Novo. Do ponto de vista metodológico, investe-se em duas aproximações complementares: um inquérito representativo ao nível do Continente, aplicado a uma amostra de homens e mulheres entre os 30 e os 65 anos; e entrevistas em profundidade a 48 homens e mulheres com histórias de vida e idades diversificadas. Através das metodologias qualitativas aprofunda-se a subjectividade dos percursos, completando o retrato estatístico das trajectórias e das gerações. O projecto beneficia ainda do confronto com dados obtidos noutro país europeu, uma vez que o parceiro internacional do projecto aplica, na Suíça, um instrumento similar de observação qualitativa. A caracterização da evolução demográfica e familiar, bem como a análise das políticas de família, constituem etapas complementares da pesquisa.

 

Juventude, família e autonomia: entre a norma social e os processos de individuação

Coordenação:Lia Pappámikail


Sumário: Neste projecto procura-se discutir, através do estudo de jovens adolescentes e suas famílias, a relação que o valor da autonomia tem com os processos de individuação, aferindo as lógicas sociais através das quais os sujeitos reportam à norma. A adolescência e juventude emergem como períodos do ciclo de vida particularmente densos e intensos de abertura ao mundo, em que simultaneamente se expandem as relações sociais e os territórios de existência num processo complexo de aquisição de liberdades e independências. Um processo em que participam, ainda assim, os contextos económicos, culturais e sociais em que vivem os jovens. É nessa medida que a adolescência surge como um fenómeno simultaneamente individual, familiar e social. Com efeito, são múltiplos os desafios e provas que ao longo do percurso enfrentam os sujeitos, o que imprime um carácter probatório às suas performances, donde resultam hesitações, dúvidas e vulnerabilidades. Ao mesmo tempo que crescem e amadurecem, procuram, pois, (ou é-lhes oferecido um espaço para) acomodar a autonomia que vão construindo, no sistema de relações familiares, relativamente estável até então. Ao reivindicar um novo estatuto e encetando um percurso de desafiliação relativa, os sujeitos interpelam a família cuja acção é orientada pela dupla injunção de proteger e emancipar, forçando à recomposição e transformação das relações, o que torna a adolescência um período igualmente desafiante para os progenitores. Estes constituem os principais traços que resultam da análise dos 18 casos que ocnstituiram o corpus empírico da pesquisa, recolhidos em três localizações distintas (urbana, suburbana e rural) entre 2005 e 2006. Cada caso é constituído pela díade progenitor (pai/mãe/ambos) e pelo adolescente, cada um fornecendo a usa perspectiva sobre o processo e experiência de crescimento e amadurecimento. Abordaram-se diversas áreas da existência destacando-se a forma como o valor da autonomia se inscreve nas culturas familiares, aferindo traços de transformação social e cultural; a forma como os jovens adquirem ou conquistam mais liberdade de acção e circulação, por um lado, e mais independência instrumental e financeira, por outro; e os trilhos que os jovens percorrem para constituir, expressivamente no espaço doméstico e relacional, universos privados e íntimos.

Palavras-Chave: Família, Juventude, Adolescência, Identidade, Autonomia

Juventude, família e autonomia:entre a norma social e os processos de individuação
(Tese de Doutoramento).

 

 

Projectos Terminados:

 

Juventude, família e autonomia: entre a norma social e os processos de individuação

Coordenação:Lia Pappámikail


Sumário: Neste projecto procura-se discutir, através do estudo de jovens adolescentes e suas famílias, a relação que o valor da autonomia tem com os processos de individuação, aferindo as lógicas sociais através das quais os sujeitos reportam à norma. A adolescência e juventude emergem como períodos do ciclo de vida particularmente densos e intensos de abertura ao mundo, em que simultaneamente se expandem as relações sociais e os territórios de existência num processo complexo de aquisição de liberdades e independências. Um processo em que participam, ainda assim, os contextos económicos, culturais e sociais em que vivem os jovens. É nessa medida que a adolescência surge como um fenómeno simultaneamente individual, familiar e social. Com efeito, são múltiplos os desafios e provas que ao longo do percurso enfrentam os sujeitos, o que imprime um carácter probatório às suas performances, donde resultam hesitações, dúvidas e vulnerabilidades. Ao mesmo tempo que crescem e amadurecem, procuram, pois, (ou é-lhes oferecido um espaço para) acomodar a autonomia que vão construindo, no sistema de relações familiares, relativamente estável até então. Ao reivindicar um novo estatuto e encetando um percurso de desafiliação relativa, os sujeitos interpelam a família cuja acção é orientada pela dupla injunção de proteger e emancipar, forçando à recomposição e transformação das relações, o que torna a adolescência um período igualmente desafiante para os progenitores. Estes constituem os principais traços que resultam da análise dos 18 casos que ocnstituiram o corpus empírico da pesquisa, recolhidos em três localizações distintas (urbana, suburbana e rural) entre 2005 e 2006. Cada caso é constituído pela díade progenitor (pai/mãe/ambos) e pelo adolescente, cada um fornecendo a usa perspectiva sobre o processo e experiência de crescimento e amadurecimento. Abordaram-se diversas áreas da existência destacando-se a forma como o valor da autonomia se inscreve nas culturas familiares, aferindo traços de transformação social e cultural; a forma como os jovens adquirem ou conquistam mais liberdade de acção e circulação, por um lado, e mais independência instrumental e financeira, por outro; e os trilhos que os jovens percorrem para constituir, expressivamente no espaço doméstico e relacional, universos privados e íntimos.

Palavras-Chave: Família, Juventude, Adolescência, Identidade, Autonomia

Juventude, família e autonomia:entre a norma social e os processos de individuação (Tese de Doutoramento).

Organização dos tempos da vida na Europa

Coordenação: José Machado Pais e Vítor Sérgio Ferreira.

Equipa: Cátia Nunes, Teresa Amor, Sofia Aboim, Rui Costa Lopes, Henrique Duarte, Diniz Lopes, Gil Nata, Isabel Menezes.

 

Sumário: O projecto analisa os faseamentos do curso de vida e os tempos fortes de passagem de uma a outra fase de vida, em função de determinadas ocorrências ou experiências de vida (iniciação sexual, coabitação, casamento, primeiro trabalho remunerado, nascimento de um primeiro filho, reforma, etc.), para além da aferição da relevância que os inquiridos atribuem a esses marcadores de passagem. As transições para a vida adulta e os respectivos marcadores e normas etárias são objecto de análise específico, numa perspectiva comparada entre Portugal e um conjunto de países europeus. Deste modo, o projecto procura confrontar as atitudes dos portugueses com a de outros europeus em relação à organização do curso de vida e às estratégias mais valorizadas na sua planificação.Objectivos: o projecto tem por objectivo a análise dos dados do módulo sobre a Organização dos Tempos da Vida na Europa, incluído na 3ª ronda do European Social Survey. O Inquérito foi concebido no âmbito de uma rede de investigação dirigida ao estudo comparativo dos valores e atitudes sociais na Europa, tomando-se como instrumento de inquirição um questionário aplicado a amostras representativas das populações dos países participantes. O módulo sobre a Organização dos Tempos de Vida na Europa foi desenvolvido por um equipa constituída por: Francesco Billari (Università Bocconi, Itália), Gunhill Hagestag (Adger University College, Noruega), Aart Liefbroer (Netherland Interdisciplinary Demographic Institute and Free University of Amsterdan, Holanda), e Zsolt Spéder (Hungarian Central Statistical Office, Hungria). O inquérito dá-nos uma série de indicadores sobre a forma como os indivíduos orientam o seu curso de vida, em termos da sua cronologias, sequência e planeamento. Permite ainda avaliar as representações sociais que tomam o curso de vida como uma sequência estruturada de diferentes fases e transições de vida, bem como as normatividades sociais que as padronizam ou sancionam.
Palavras-chave: transições para a idade adulta; marcadores de passagem; normas etárias.

 

 

Families and Transitions in Europe (FATE)

Coordenação em Portugal: José Machado Pais.

Equipa: Lia Almeida
Financiamento: projecto apoiado pela Comissão Europeia (Prioridade "Improving the Socio-Economic Knowledge Base" – IHP-KA1-00-1)
Data: 2001 – 2004
Página do Projecto.

 

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