OLHARES SOBRE JOVENS

Outubro 2012 - Empregabilidade e Inserção Profissional dos diplomados do Ensino Superior

 



Vítor Escária (CIRIUS/ ISEG-UTL)

Paulo Madruga (Augusto Mateus & Associados – Sociedade de Consultores e CIRIUS/ ISEG-UTL)




A discussão sobre a qualidade da formação ministrada nas instituições de ensino superior e sobre a sua adequação às necessidades do mercado de trabalho tem sido recorrente no espaço público.

O recente aumento do número de diplomados desempregados tem dado a esta problemática da empregabilidade e inserção profissional dos diplomados uma grande visibilidade, existindo diversas teses ou «ideias feitas» não baseadas em análises objectivas, que podem condicionar fortemente a motivação dos jovens para obter qualificações escolares mais elevadas.

Assim, e no quadro de um estudo sobre Empregabilidade e Ensino Superior em Portugal, realizado por uma equipa de Investigadores do ICS – UL e do CIRIUS/ ISEG-UTL, com o apoio da A3ES, foi avaliada, entre outras questões, esta problemática da inserção profissional e da incidência do desemprego entre os diplomados do ensino superior.

Para esse efeito, e tendo em vista compreender a situação atual dos diplomados e a sua inserção no mercado de trabalho, e dada a ausência de um suporte de informação coerente que permita dar uma resposta cabal e sistemática a estas questões, foram exploradas diversas fontes estatísticas que possibilitam diferentes olhares sobre estas problemáticas. Procurou-se, com estes diferentes olhares permitidos pelas diferentes fontes de informação, construir uma visão tão completa e sistemática quanto possível deste fenómeno.

Os anos mais recentes e acompanhando a consolidação da implementação do processo de Bolonha nas Instituições de Ensino Superior em Portugal testemunharam uma afirmação, de forma clara, do primeiro ciclo de licenciatura como o grau académico mais frequente, registando-se em paralelo um aumento considerável dos diplomados ao nível de mestrado. Há assim sinais de que o segundo ciclo do ensino superior passou a ser, de forma crescente, considerado como um nível necessário para uma melhor empregabilidade.


















Registam-se, por outro lado, alterações significativas das áreas de educação e formação dos diplomados, o que sinaliza que os alunos são sensíveis à informação disponibilizada sobre essas áreas, nomeadamente sobre a respetiva empregabilidade.


























A análise da inserção profissional dos trabalhadores portugueses, efetuada utilizando os Quadros de Pessoal do Ministério da Economia e Emprego, permitiu verificar um peso crescente dos diplomados do ensino superior entre os que entram pela primeira vez no mercado de trabalho, representando os diplomados do ensino superior cerca 24% dos trabalhadores que entraram pela primeira vez no mercado de trabalho em 2009, face aos cerca de 14% que representavam em 2002. Por outro lado, assistiu-se a um reforço do peso dos diplomados com mestrado ou doutoramento entre os que ingressam pela primeira vez no mercado de trabalho, o que sinaliza uma tendência para a realização de percursos académicos continuados.























Ainda relativamente à inserção profissional dos diplomados, as análises efectuadas permitiram alguns outros resultados. Por um lado, tem-se verificado uma alteração das áreas de formação dos diplomados que ingressam no mercado de trabalho. Detetou-se ainda que as áreas metropolitanas continuam a concentrar a maior absorção de diplomados com o ensino superior, se bem que se observe uma perda do seu peso, sinalizando uma capacidade de outros territórios oferecerem postos de trabalho para estes diplomados. As atividades económicas terciárias são responsáveis pela maior absorção dos indivíduos que entram pela primeira vez no mercado de trabalho com habilitações superiores, em particular, as atividades relacionadas com os serviços às empresas e as atividades nos domínios da saúde e ação social. São as empresas de maior dimensão que apresentam maior probabilidade de contratar trabalhadores que entram com habilitações escolares mais elevadas. É de notar, no entanto, que 50% dos doutorados que entram pela primeira vez no mercado de trabalho são contratados por empresas com menos de 50 pessoas ao serviço e 26% por microempresas (0 a 9 pessoas ao serviço), o que poderá indiciar alguma capacidade de iniciativa empresarial, ou de empreendedorismo, por parte dos diplomados com maiores habilitações.

Foi ainda estudada a remuneração dos trabalhadores no momento de entrada no mercado de trabalho, verificando-se a existência de um prémio de remuneração associado às habilitações escolares mais elevadas. Os diplomados do ensino superior registavam um ganho no momento da entrada 40% superior à média dos entrantes no mercado em 2009 face a +70% em 2002.

Esta redução deveu-se à diminuição do prémio para os diplomados com bacharelato ou licenciatura, pois o mesmo mantém-se para os mestrados e doutoramentos, que registam, também, prémios superiores.

O prémio é ainda claramente diferente por áreas de educação e formação.


































































A análise efectuada da evolução do desemprego de diplomados permitiu verificar a existência de aumento, em termos absolutos, do número de desempregados registados nos Centros de Emprego com diploma de ensino superior. Mas esse aumento em termos absolutos não se reflete num aumento do peso dos diplomados no total de desempregados. O aumento do total de diplomados inscritos não é mais do que o reflexo do aumento generalizado do desemprego, do aumento do número de diplomados, não espelhando um aumento significativo da incidência relativa do desemprego entre os diplomados.










































Regista-se ainda uma alteração significativa da distribuição por áreas de educação dos diplomados registados como desempregados nos Centros de Emprego.

Com base nos dados do inquérito ao emprego do Instituto Nacional de Estatística foi possível verificar que o perfil de evolução da taxa de desemprego dos diplomados e não diplomados é relativamente distinta. A taxa de desemprego entre os diplomados - com exceção de um ano - foi sempre inferior à dos não diplomados, verificando-se ainda que a diferença entre duas taxas aumentou no período mais recente, ou seja, que a taxa de desemprego dos diplomados não aumentou tanto quanto a dos não diplomados no contexto da atual crise. Verifica-se que aqueles que possuem graus mais elevados tendem a registar taxas de desemprego inferiores, sugerindo uma valorização pelo mercado dessas qualificações adicionais.
























É de destacar a relativa variabilidade da taxa de desemprego para as diferentes áreas de educação e formação.



















Em jeito de conclusão, é de destacar que, apesar de diminuir, continua a registar-se um prémio salarial associado às qualificações escolares mais elevadas. Por outro lado, apesar do aumento do número de diplomados desempregados, os diplomados continuam a registar uma menor incidência do desemprego. Por estas razões, a qualificação escolar inicial dos jovens deverá continuar a ser um objectivo, seja das estratégias individuais, seja das políticas públicas.



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