Seminários Mundos Juvenis - 27 de Junho

 

Nas encruzilhadas da cidadania: processos de transição para a vida adulta dos jovens descendentes de imigrantes dos PALOP

Tatiana Ferreira (ICS-UL)


Apresentação do Filme Documentário "Nôs Terra" sobre Jovens Negros Portugueses. Filmado na área metropolitana de Lisboa, em 2009 e 2010 e promovido pela Solidariedade imigrante e financiado pelo programa juventude em acção.

Com a presença da realizadora Anna Tica.

Mais informações em: http://crioulidades.blogspot.pt/p/filmes.html







































Resumo:

A presente comunicação enquadra-se no projeto de doutoramento “Género e gerações: processos de transição para a vida adulta de jovens descendentes de imigrantes dos PALOP” e resulta da participação no projeto “Trajetórias migratórias de origem Africana, Ilegalidade e Género”, coordenado por Marzia Grassi no Instituto de Ciências Sociais, Universidade de Lisboa. Neste projeto, onde foram realizadas entrevistas a imigrantes dos PALOP, existia uma elevada percentagem de imigrantes com filhos e, alguns entrevistados, especialmente mulheres, revelaram uma preocupação particular com as repercussões do seu estatuto legal nas vidas dos seus filhos. Tais resultados levaram-nos a questionar como a ilegalidade e o acesso à cidadania é reproduzido geracionalmente. De facto, muitas crianças e jovens que crescem em famílias com membros indocumentados, são também indocumentadas ou, pelo menos, experienciaram dificuldades no acesso à cidadania.

Apesar das alterações introduzidas à lei da nacionalidade de 2006, os filhos de imigrantes dos PALOP continuam a enfrentar dificuldades nos processos de legalização. Além do mais, a lei é muito recente, e um número elevado de jovens adultos, filhos de imigrantes dos PALOP, viveram a sua infância e adolescência sob a anterior lei. As implicações na sua infância e adolescência não podem ser ignoradas. O estatuto legal (do próprio, dos pais ou de outro familiar) tem diversas consequências na vida das crianças, adolescentes ou jovens adultos. O estatuto legal da família aprisiona-os numa situação complexa que têm impacto nas diferentes fases do seu desenvolvimento. Como consequência, eles enfrentam diversos constrangimentos nos processos de transição para a vida adulta e no acesso à educação e à saúde. Como alguns autores referem, os filhos de imigrantes vivem na “sombra” na medida em que são membros de famílias ilegais aos olhos da lei (Suarez Orozco 2011). As suas experiências, resultado do estatuto legal das suas familias, tem múltiplas consequências nas suas vidas. Os estudos sobre imigraçao ilegal têm se debruçado sobretudo nos fluxos de imigraçao ilegal, nem sempre tendo em conta o impacto nos filhos de familias indocumentadas.

O principal objectivo desta apresentação é perceber, através de uma análise preliminar das entrevistas realizadas nos dois projetos supracitados, o impacto do estatuto legal dos jovens e das suas familias nos diferentes eventos de transição para a vida adulta. Perceber, como alguns autores referem, a forma como o seu estatuto legal, muitas vezes confuso e contraditório condiciona os seus direitos e oportunidades (Abrego 2008; Gonzales 2007) e os distancia dos seus pares portugueses, tornado as suas transições para a vida adulta mais complexas e com consequências a longo-termo nas suas vidas. A apresentação conta ainda com a projeção de um documentário “Nôs Terra” com testemunhos de jovens de origem cabo-verdiana que nasceram em Lisboa e que falam sobra a sua dupla pertença entre Portugal e Cabo-Verde. Entre as muitas temáticas abordadas, existem testemunhos sobre as dificuldades de acesso à documentação.





Tatiana Ferreira é bolseira de doutoramento pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia – FCT, no ISCTE-IUL e no ICS-UL, com o projeto “Género de gerações: processos de transição para a vida adulta dos jovens descendentes de imigrantes dos PALOP” (SFRH/BD/61130/2009). Desde 2008 colabora com a Prof. Marzia Grassi em diversos projetos no ICS-UL. Principais interesses de investigação: transições para a vida adulta, género, migrações e gerações.


Ana Fernandes Ngom [Anna Tica). Nasce em Lisboa, no seio de uma família cabo-verdiana, em Agosto de 1979.
Licenciada em Animação Sociocultural procura dar ânimo, alento e vida aos mais vulneráveis à pobreza e à exclusão social, com um foco particular nas comunidades de origens africanas e seus descendentes. 
Procura aprofundar a temática da construção de identidades. "Nôs Terra" é um resultado dessa vontade de empreender um diálogo sobre a sociedade portuguesa.


  • Faixa publicitária
  • Faixa publicitária
  • Faixa publicitária

Contacte-nos