Seminários Mundos Juvenis - 4 de Junho 2014

 

Jovens do Magrebe: entre tradição, revolta e aspirações globais



Francesco Vacchiano (ICS-ULisboa)


Resumo:

Durante a chamada "primavera árabe", o termo mais utilizado em toda a África do Norte para definir os insurgentes foi shabab ('jovens'), o que ilustra bem a importância da participação juvenil nos processos de mudança social. Os jovens ativistas assumiram um papel central na idealização e preparação da revolta, em alguns casos através de anos de militância previa. Apesar de não representarem a totalidade dos modos de "ser jovem" nestes países, estes jovens têm dado uma visibilidade política a um desejo amplamente partilhado de participação e "dignidade" (karama, outra palavra chave da revolta) . Até ao momento da revolta, de facto, expectativas similares, de promoção individual e mudança social, tinham encontrado expressão prevalente na migração para a Europa, num processo que era amplamente protagonizado por jovens. Como vários autores têm vindo a sublinhar, estas aspirações – ligadas a uma subjetividade global e a formas cosmopolitas de estar-no-mundo – não se encontram em contradição com os valores locais tradicionais, assim como não implicam necessariamente um processo de secularização. Pelo contrário aspirações e valores interagem de forma complexa criando formas hibridas e alternativas. O trabalho etnográfico em países como Marrocos o Tunísia mostra a relevância deste processo de construção identitária, em que novos equilíbrios se encontram em formação.




















Francesco Vacchiano é psicólogo e antropólogo, investigador post-doc do ICS-ULisboa. A sua pesquisa na África do Norte e no Mediterrâneo abrange temas relativos à migração contemporânea, a subjetividade juvenil, a globalização, e os processos sociais ligados à construção da fronteira europeia. Interessa-se também de antropologia medica e psicológica e de saúde e migrações.

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