Seminários Mundos Juvenis - 29 de Abril

 

Larissa, um retrato. Identidade, ficção e escrita etnográfica



Rafael R. Macêdo


A proposta do seminário é apresentar e discutir alguns pontos relativos ao problema da identidade e da relação entre ficção e escrita etnográfica. Para isso, apresentarei alguns trechos do meu ensaio Larissa, um retrato: um relato etnográfico em escala individual centrado nas dinâmicas subjetivas da protagonista, uma jovem jornalista que, desiludida com o trabalho e pressionada pelos pais, aos poucos, vê-se obrigada a renunciar as suas aspirações românticas em favor de um destino aparentemente inevitável aos jovens de Brasília: a burocracia do Estado.

O ensaio é fruto de minha pesquisa etnográfica, um exercício de descrição interpretativa da vida dos jovens descolados, um microcosmo de universitários de classe média, filhos de altos funcionários públicos e de profissionais ligados ao Estado. O objetivo é avaliar problema da identidade no contexto de transição à vida adulta, particularmente, no que se refere aos conflitos relacionados à inserção dos jovens no mercado de trabalho. No caso de Larissa, minha tentativa foi a de retratar sua discreta batalha cotidiana, muitas das diferentes maneiras pelas quais ela tentava enfrentar, fugir ou suportar as angústias e incertezas desencadeadas pela pressão dos pais, dois bem sucedidos funcionários públicos.

Como foi dito, o relato é escrito em formato de conto, um retrato fictício de um dia em sua vida, uma sucessão de instantes tecidos a partir de notas de campo, conversas em bares e de algumas entrevistas. A motivação é de que o retrato possa evocar a um leitor distante uma imagem vívida de como estes jovens levam suas vidas em Brasília, particularmente, neste momento de transição. Espero também que o relato propicie algumas questões no que se refere ao modo como a vida em sociedade institui nossas formas de atribuir sentido ao mundo; à maneira como estes tais sentidos são muitas frágeis, contraditórios e insuficientes; e, ainda, como pode ser difícil, muitas vezes, abrir mão destes tais sentidos socialmente instituídos, uma vez que nossos sensos de amor próprio e de identidade estão profundamente ligados ao reconhecimento que a sociedade nos presta cotidianamente, especialmente pela figura de nossos entes mais próximos.



Rafael R. Macêdo - Bacharel em Ciências Sociais pela Universidade de Brasília. Mestre em Sociologia também pela Universidade de Brasília (UnB). Professor de Sociologia nos departamentos de Direito, Psicologia e Serviço Social do Instituto de Educação Superior de Brasília (IESB). Pós-graduando no Curso de Especialização em Artes da Escrita pela Universidade Nova de Lisboa.

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